Angu do Gomes
Um símbolo do Rio de Janeiro, o Angu do Gomes, um prato tradicional, que se transformou em símbolo da identidade carioca entre as décadas de 50 e 80. As barraquinhas do Angu do Gomes compuseram parte do cenário da cidade, alimentando notívagos trabalhadores e boêmios. Com preço popular, o prato substancioso era o mata-fome preferido para revigorar as forças depois de uma noitada ou jornada árdua.
Herdeiro do talento culinário de Manoel, João Gomes começou no ramo menino, ajudando o pai no pequeno negócio de carrocinhas que vendiam angu com miúdos, nos idos de 1955. Com a morte prematura de Manoel, em 1964, João assumiu o negócio. Mas como seu talento era mesmo para a cozinha, ele associou-se a outro filho de portugueses, Basílio Pinto, para tocar a parte financeira e administrativa. Pouco a pouco, as carrocinhas da dupla foram tornando-se charmosas e famosas. A da Praça IV, por exemplo, era frequentada por gente como Tom Jobim, Sérgio Mendes e Ruy Castro.
Em 1977, com o sucesso da coisa toda, João e Basílio abriram um restaurante para servir de base de operações das carrocinhas. Funcionava no Largo de São Francisco da Prainha, atrás da Praça Mauá. Mas aí veio a década de 80, e com ela a crise econômica, as cadeiras de fast food e os restaurantes de comida a quilo. Em 1988, Basílio saiu da sociedade. Em 1995, o Angu do Gomes fechou as portas e recolheu as carrocinhas de vez.
João morreu ano passado. Infarto fulminante numa fila de banco, aos 78 anos. Consta que andava pobre e esquecido, afundado em dívidas de jogo. No final deste mesmo ano, coincidentemente, um neto de Basílio e outros sócios reinauguraram o restaurante Angu do Gomes. No mesmo Largo da Prainha, mas em outro número.
Angu do Gomes
Fonte: Pé Sujo, blog de Juarez Becoza
Fonte: http://www.eduexplica.com/2010/09/historia-do-angu-do-gomes.html